BlogPor que o Agosto Verde Claro importa mais neste ano?
Em Cuiabá, o número de cães diagnosticados com leishmaniose visceral quase dobrou entre janeiro e março deste ano. O salto foi de quase 80% na comparação com o mesmo período de 2025, segundo boletim da Secretaria Municipal de Saúde.
O dado chama atenção não porque a doença seja nova, mas porque mostra algo que muitos tutores ainda não perceberam.
Aquilo que costumava ser tratado como um risco distante, associado a áreas rurais e regiões específicas do país, está cada vez mais presente no dia a dia das cidades.
É nesse cenário que o Agosto Verde Claro ganha um peso diferente.
A campanha, que reúne a conscientização sobre leishmaniose, PIF, FIV e FeLV, deixa de ser apenas uma data no calendário do setor pet e passa a funcionar como um lembrete direto de que a prevenção precisa acontecer o ano inteiro, não só em agosto.
O que essas quatro doenças têm em comum

Leishmaniose, peritonite infecciosa felina, imunodeficiência felina e leucemia felina são, à primeira vista, condições bem diferentes entre si.
Uma é causada por um protozoário transmitido pela picada do mosquito-palha, as outras três têm origem viral e afetam principalmente gatos.
Mas existe um ponto que as une e que justifica tratá-las juntas em uma mesma campanha.
Todas costumam evoluir de forma silenciosa no início, o que atrasa o diagnóstico, e todas dependem diretamente da atenção do tutor para serem identificadas a tempo.
Por que os casos estão aumentando?
Parte da explicação está na própria expansão das cidades.
O mosquito-palha, vetor da leishmaniose, se reproduz em ambientes com acúmulo de matéria orgânica, algo cada vez mais comum em áreas urbanas mal planejadas.
Some-se a isso o deslocamento de cães infectados entre regiões, que ajuda o parasita a circular por lugares onde antes era raro, e o resultado é o que pesquisadores da Fiocruz já vêm classificando como uma mudança no padrão de transmissão da doença.
Sinais que merecem atenção
Perda de peso sem explicação, apatia, feridas de cicatrização lenta e aumento de volume no abdômen são sinais que aparecem, com variações, nas quatro condições.
Nenhum deles é motivo para pânico, mas todos são motivo para marcar uma consulta com um veterinário de confiança.
O que fazer neste mês?

Testes de leishmaniose, FIV e FeLV são rápidos e amplamente disponíveis em clínicas veterinárias, assim como a vacina contra a leishmaniose canina e contra a FeLV.
Manter a rotina de exames em dia, especialmente para pets que circulam em áreas externas, é a forma mais eficaz de agir antes que a doença avance.
O Agosto Verde Claro cumpre seu papel quando deixa de ser um mês isolado de conscientização e se transforma em um hábito de cuidado que continua depois que a campanha termina.
É esse acompanhamento constante que faz a diferença na saúde e na qualidade de vida do seu melhor amigo.
Por Hugo Carvalho Muniz da Silva
Plamev
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